Pedagogia e Politica Educativa
Devido à situação sanitária vivida, à altura, em Portugal, a Universidade do Algarve decretou o encerramento das atividades letivas presenciais a partir de dia 12 de março de 2020. A Associação Académica acompanhou este processo desde a génese do plano de contingência à decisão de interdição das instalações, dos três campi, aos alunos, professores e funcionários não docentes.
A primeira preocupação da AAUAlg foi, uma vez garantida a saúde dos estudantes, procurar mecanismos de garantia da continuidade da progressão de estudos dos mesmos. Junto da Reitoria da UAlg, diretores de Unidades Orgânicas e presidentes de Conselho Pedagógico, foi feito um trabalho árduo e contínuo de acompanhamento das alternativas encontradas, defendendo sempre os principais interesses dos alunos.
Assim, a Direção-Geral da AAUAlg defendeu:
O cumprimento dos horários estipulados para as atividades letivas. Ainda que em moldes completamente diferentes dos conhecidos até então revelava-se impreterível que as unidades curriculares fossem lecionadas com a mesma periodicidade, duração e carga horária para as quais estavam destinadas antes da suspensão das atividades letivas presenciais.
A necessidade de adaptação à nova realidade tornara-se suficientemente difícil de gerir, por parte dos estudantes, em conjunto com toda a incerteza em que as famílias se envolviam, a desorganização cumulativa dos seus horários de aulas seria amplamente prejudicial. Para este alerta da AAUAlg, o Senado Académico da UAlg mostrou sempre abertura para dialogar com os docentes em questão e corrigir incumprimentos.
A necessidade urgente de garantia de condições dignas, de material informático e internet, para a frequência das atividades letivas. Se para a maioria dos estudantes do ensino superior estas constituem ferramentas comuns e indispensáveis ao dia a dia, a situação vivida demonstrara que, para alguns eram, apesar de essenciais ao seu ciclo de estudos, meios inalcançáveis.
Após este alerta, de forma célere foi requerido, junto de todas as unidades orgânicas um levantamento dos estudantes que não dispunham de acesso a uma rede de internet ou meio informáticos dignos para a frequência das atividades letivas e, a todos eles, garantido acesso às instalações da Universidade do Algarve, com todas as condições de segurança asseguradas, para poderem realizar trabalhos, momentos avaliativos ou assistir a aulas.
Uma avaliação justa, para com os conteúdos lecionados e o método usado e equitativa para todos os estudantes, independentemente do curso e unidade orgânica. Se o regime não presencial revelou diversos obstáculos à lecionação era nos métodos avaliativos que se encontrariam as maiores dificuldades. À DG da AAUAlg foram reportadas diversas situação de excesso de carga de trabalho, imediatamente comunicada à Reitoria da UAlg. Defendemos sempre que a avaliação poderia ser fragmentada, com vista a reduzir a carga de um último exame ou poucas frequências cujo método era ainda desconhecido e a incerteza ampla, quanto à influência da situação de confinamento no resultado. No entanto, entendemos que tal não deveria ser sinónimo de um volume extremamente aumentado de trabalhos, sobretudo se fora do planeamento base da ficha de unidade curricular. Relativamente aos momentos de avaliação final, mais tarde assumidos como não presenciais por parte da UAlg devido às medidas impostas pela DGS, fomos sempre intransigentes para como o aumento gratuito de dificuldade dos mesmo, defendo ainda a necessidade premente de garantir alternativas para que o contexto sanitário não se revelasse primeiro condicionador das classificações finais. Acompanhando, quase semanalmente, as curvas de aprendizagem que revelavam, de modo geral, resultados muito semelhantes ao ano letivo anterior.
A indispensável garantia de manutenção da qualidade académica de todas as unidades curriculares. A componente letiva prática constituía um cenário praticamente utópico durante o confinamento obrigatório. Os estágios, trabalhos finais de licenciatura e mestrado, ensinos clínicos e aulas práticas eram uma vertente amplamente afetada e, para a qual, o estabelecimento de soluções viáveis se revelava urgente. Caso contrário era a finalização de um ciclo de estudos, o futuro no mercado de trabalho ou o desenvolvimento de competências dos nossos estudantes que seriam prejudicados de maneira abrupta. Esta foi uma das grandes defesas da Associação Académica, eternamente insatisfeita, continuando ainda a acompanhar o processo de reposição de aulas práticas.
