Movimento Académicas.

Após meses sem auscultação, por parte da tutela, dos representantes dos estudantes do Ensino Superior as associações académicas do Algarve, Aveiro, Beira Interior, Coimbra, Évora, Minho e Trás-os-Montes e Alto Douro fundaram o movimento “Académicas.”                                              

O movimento tem reunido com grupos parlamentares, ministério da ciência, tecnologia e ensino superior, reitores e presidente da República, apresentando aquelas que são as principais problemáticas do ensino superior universitário em Portugal, com vista à construção de soluções sinérgicas entre as IES, a tutela, os estudantes entidades responsáveis pelo ES nacional.

  • Definição de medidas concretas e uniformes para 2020/2021, respeitando a autonomia institucional. A grande indefinição que marca o próximo ano letivo é um dos entraves ao estabelecimento de planos concretos de ação para as instituições de ensino superior. Medidas sanitárias, modelos letivos, utilização de espaços comuns, circulação nas instalações são definições urgentes que, na opinião do movimento, deverão ser tomadas autonomamente, por cada instituição de acordo com as suas possibilidades logísticas. Não obstante, revela-se premente a necessidade de definição, por parte da DGS, de medidas base de frequência presencial dos estabelecimentos de ensino para que existam guidelines uniformes para o ensino superior português.
  • Fortalecimento das estratégias de Ação Social no Ensino Superior. Os serviços de ação social das instituições de ensino superior sofreram fortes cortes orçamentais consequentes da suspensão das atividades letivas presenciais. Sinal de que grande parte do financiamento dos SAS advém das próprias receitas geradas por serviços prestados a estudantes. Numa altura em que os subsídios de emergência se revelaram uma realidade urgente percebo a necessidade de fortalecer o financiamento dos serviços de ação social, a nível nacional, para que não tenham de ser os próprios estudantes a comportar os custos de um momento inesperado. Os apoios não excecionais como o complemento ao alojamento, a criação de um completo ao transporte, garantia de mais e melhores condições nos gabinetes de psicologia são também necessidades igualmente urgentes, não apenas para resposta imediata a uma situação pandémica, mas para a garantia de condições dignas da frequência do ensino superior.
  • Apoio à inovação pedagógica das IES, no próximo ano letivo. A necessidade de conjugar métodos letivos presenciais e remotos é quase dado adquirido para o ano letivo 2020/2021, quer por necessidade de garantia de condições nas instalações, quer por questões de saúde e financeiras de alguns estudantes e corpo docente. A estrutura atual das IES não se encontra capacitada para garantir transmissão on-line de várias atividades letivas em simultâneo com qualidade técnica e académica conjugadas. Deverá por isso, existir um apoio para que a inovação pedagógica, necessidade revelada pela pandemia, sendo simultâneamente vertente essencial para o futuro do ensino superior português, seja uma realidade possível nas IES. Desta forma contribuímos para um ensino mais abrangente, justo e capacitado para as exigências futuras.
  • Descentralização do Ensino Superior em Portugal. O Ensino Superior deve ser encarado como um dos principais motores de desenvolvimento do país. A presença de uma instituição de ES produz efeitos na economia, empregabilidade e em todos os mecanismos envolvidos, direta e indiretamente, no desenvolvimento da região em que se insere. A descentralização das IES constitui, assim, uma ferramenta fulcral na construção de um país mais homogéneo, não concentrando o foco do ensino superior nas grandes metrópoles, onde já existem os focos de diversas outras áreas, mas transpondo-o para regiões periféricas em desenvolvimento e com inúmeros recursos ao dispor.



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